No mês de maio é comemorado o dia das mães e achei relevante escrever sobre as mulheres que optaram pela não-maternidade. Me senti desafiada a escrever sobre esse tema, mesmo sendo mãe. Refleti, hesitei e entendi que antes de qualquer coisa, eu sou mulher e conheço a dor e a delícia de ser o que é”.

Desde quando era bem menina, eu sonhava em ser mãe. Hoje acredito que não era eu quem sonhava, nem tinha idade pra isso, e sim a sociedade que eu estava inserida, estimulava e reforçava esta ideia. Qual é a menina que não tem uma boneca para chamar de filha?

Biologicamente, ser mulher sempre esteve associado à maternidade, entretanto, socialmente, esta relação foi se modificando ao longo da história. A reprodução estava intrinsecamente associada ao casamento; o destino da mulher já nascia traçado para casar e reproduzir.

As mulheres que permaneciam solteiras ou optavam pela não-maternidade eram consideradas como incompletas, infelizes e muitas vezes acusadas de não serem femininas. A mulher era voltada para o outro, para satisfazer as necessidades de quem fazia parte das suas relações.

Muitas mulheres lutaram contra o sistema, à margem da sociedade, durantes milênios, séculos, décadas e até nos dias de hoje para serem livres e poder escolher o que desejam. Somos livres para escolher: ter filhos, adotar, produção independente ou simplesmente não desejar filhos.

Simples, assim? Não, nem um pouco. Estamos vivendo no século XXI, com tantos recursos tecnológicos, grandes feitos arquitetônicos para a modernização de nosso país, e a sociedade decadente, cada vez mais legalista, rígida e preconceitos velados. Todo mundo com uma receita pronta para a sua felicidade: a sua mãe, a irmã da igreja, suas amigas, aquela tia que você não via há tempos, sua vizinha, sua cunhada… nem vou citar as redes sociais, cada vida mais “perfeitinha, que da vontade de guardar numa caixinha”.

É quando penso, nessas mulheres à frente do seu tempo, valentes, o quanto lutaram! Vejo que há muito a se fazer, a conquistar, a resistir para a manutenção da liberdade de escolha. E poder escolher sem medo, sem culpa e sem amarras…. Respeitar prioritariamente a sua vontade.

Atualmente, abrem novas portas para a mulheres, inseridas no mercado de trabalho, vem conquistando novos papéis e cargos que, até há pouco tempo, seriam impensáveis, como a presidência da república.

O meu parabéns vai para você que não é mãe, independente se queria ser e não rolou ou se escolheu não ser. Pois sei o quanto é pesado levar este estigma adiante e assumir que não é o seu desejo ter filhos. As pessoas simplesmente não entendem, fazem você se sentir estranha; envergonhada; constrangida e até um mostro por não querer ser mãe?

Não se sinta! Toda mulher (ou quem tem o lado feminino aflorado) tem o dom da maternagem. Não é preciso ser mãe para acolher, proteger, cuidar e amar. Alguém que você escolhe como filho ou muitas vezes te escolhe como mãe: um sobrinho, um enteado, um afilhado, um amigo…

Caso seja você, que está sendo incompreendida, com dúvidas e em sofrimento em relação a maternidade, um profissional especializado pode ajudar, procure um psicólogo. O autoconhecimento vai proporcionar um melhor conhecimento dos sentimentos e desejos que são seus e quais são do outro.

A mulher vem conquistando novos papéis na sociedade, aliado às mudanças das estruturas e configurações familiares, na contemporaneidade.

Quem anda no trilho é trem de ferro. Sou água que corre entre pedras – liberdade caça jeito”. (Manoel de Barros)

Até a próxima!

Thelma Domingues

Psicóloga e Psicopedagoga Clínica - CRP: 05/56218

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