Convenhamos: pessoas podem ser bastante más quando querem. Uma palavra, uma atitude ou mesmo a ausência de ambos podem nos ferir. Mas fazer o mal é relativamente fácil, já que podemos fazê-lo até mesmo sem a intenção, bem exemplificada pelo ditado popular: ”de boas intenções o inferno está cheio”.

Algo que corrobora bastante para ferir e sermos feridos inintencionalmente é a falta ou desencontro da comunicação. Precisamos estabelecer limites, e o outro precisa tomar ciência deles. Como podemos fazer isso? Deixando claro quando algo nos incomoda, evitando comportamentos que não gostamos que façam conosco. Dessa forma, os outros terão consciência de como gostamos de interagir, de trocar.

Mas e quando o mal já está feito? Não podemos fazer nada a respeito? É aí que as desculpas e o perdão entram em cena. Primeiro, é necessário perceber onde erramos, ou seja, o que fizemos que feriu o outro. Depois disso, entender o porquê do outro se sentir mal. Por fim, ser sincero e humilde no pedido. Já que de nada vale pedidos de desculpas da boca pra fora, a empatia tem papel fundamental no momento de se colocar no lugar do outro, percebendo os próprios erros e entendendo o motivo de outrem se sentir mal.

Do outro lado da interação cabe então o perdão. E para a tristeza daqueles que querem ser perdoados a qualquer custo, lamento informar que precisa ser conquistado, merecido. A pessoa que foi ferida irá precisar de tempo e reflexão para absorver o pedido de desculpas. O perdão só será genuíno quando a dor da mágoa já estiver enfraquecida e isso é um processo que pode ser bastante longo e, às vezes, nem mesmo acontecer.

Uma incongruência também pode surgir, que agora ilustro com o ditado “forgive and forget”, perdoe e esqueça, em tradução livre. Esquecer um malfeito realizado por alguém pode ser difícil, e essa dificuldade se dá pela perda da confiança. Perda essa que pode ser bastante justa. Mas como manter uma relação interpessoal sem confiança, com o ato constante de remoer a mágoa, mesmo quando as desculpas sinceras foram pedidas e o perdão foi dado? A palavra-chave aqui é tempo. Ao longo do tempo a confiança pode ser reconquistada e assim, o malfeito ser finalmente esquecido. Assim, o ideal seria perdoar quando estiver com disposição para deixar o ocorrido para trás.

Uma figura profissional pode ser um diferencial positivo nestes momentos conflituosos e confusos que envolvem o ato de pedir desculpas e o ato de perdoar. Caso sinta a necessidade de uma ajuda mais específica, procure ajuda psicológica. Com essa ajuda, você poderá ter uma visão melhor e mais ampla dos acontecimentos, observar ambos os lados da situação e verificar os possíveis resultados das ações que for tomar.

Pedro Diniz Bernardo

Psicólogo - CRP: 05/48864

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