A descoberta da escrita e da leitura é um dos momentos mais críticos na fase da 2ª infância e um dos momentos mais mágicos. Hoje em nossa sociedade é imprescindível aprender a ler e a escrever.

Mas, como se dá esse processo de alfabetização? É natural?

Apesar da leitura e a escrita estarem inteiramente relacionadas a leitura é, na verdade, a antítese da escrita. Na realidade cada uma atua em pontos distintos do cérebro.

A escrita é uma habilidade; já a leitura é uma aptidão natural. A escrita originou-se de uma elaboração; a leitura desenvolveu-se com a compreensão da humanidade e dos recursos da palavra escrita.

É preciso muito investimento na criança de forma gradual, como cita Sternberg & Grigorenko em 2003, “o desenvolvimento, assim como as alterações, das habilidades de leitura e escrita em crianças estão relacionados a uma série de fatores da criança, da família, da escola, do sistema educacional, entre outros.”

No livro Aprender a Ler e a Escrever, Ana Teberosky e Teresa Colomer ressaltam que as “hipóteses” que as crianças desenvolvem constituem respostas a verdadeiros problemas conceituais, semelhantes aos que os seres humanos se colocaram ao longo da história da escrita”. E completa: o desenvolvimento “ocorre por reconstruções de conhecimentos anteriores, dando lugar a novas construções”. 

Emília Ferreiro afirma que a construção do conhecimento da escrita possui uma lógica individual, embora aberta à interação social, na escola ou fora dela. Neste processo, a criança passa por etapas, com avanços e recuos, até se apossar do código linguístico e dominá-lo. O tempo necessário para o aluno transpor cada uma das etapas é muito variável.

De acordo com a teoria exposta em Psicogênese da Língua Escrita, toda criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada:

  • pré-silábica: não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada;
  • silábica: interpreta a letra a sua maneira, atribuindo valor de sílaba a cada uma;
  • silábico-alfabética: mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas;
  • alfabética: domina, enfim, o valor das letras e sílabas.

Para poder compreender o que se lê, educadores e terapeutas se utilizam de diferentes maneiras ou procedimentos no auxílio à criança no processo de leitura, tais como: esclarecimento do propósito da leitura, identificação dos aspectos importantes de uma mensagem, focalização da atenção nos conteúdos mais importantes que triviais, monitoramento contínuo, verificar se os objetivos estão sendo atingidos e tomada de ações corretivas quando ocorre falha na compreensão.

O sucesso ou fracasso no processo de ensino/aprendizagem da leitura/escrita esta diretamente relacionada com os fatores: biológicos, neuropsicológicos, psicossociais (dos contextos familiar e escolar) e pedagógicos.

Fonte(s):

  • https://pedagogiaconcursos.com/autores/a-construcao-da-escrita-na-crianca-por-emilia-ferreiro/
  • https://www.scielo.br/j/paideia/a/GgvYhbyZJdWqBWT385ZWcHb/?format=pdf&lang=pt
  • https://novaescola.org.br/conteudo/338/emilia-ferreiro-estudiosa-que-revolucionou-alfabetizacao
  • https://novaescola.org.br/conteudo/2489/diagnostico-na-alfabetizacao-para-conhecer-a-nova-turma
  • https://canaldoensino.com.br/blog/as-4-fases-do-processo-de-leitura
  • https://monografias.brasilescola.uol.com.br/educacao/os-processos-leitura-letramento.htm

Thelma Domingues

Psicóloga e Psicopedagoga Clínica - CRP: 05/56218

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