De acordo com a teoria da psicologia desenvolvimentista humana do Ciclo Vital, todos os indivíduos passam por diferentes fases relevantes ao longo de suas vidas. Teóricos desta vertente tais como Jean Piaget, Lev Vygotsky e Erick Erickson possuem perspectivas, por vezes distintas, sobre as particularidades de cada grande etapa da vida do ser humano (mas tais perspectivas não necessariamente excludentes entre si). Contudo, há dois consensos sobre a Teoria do Ciclo Vital: o primeiro deles é o de que todas as etapas são marcadas por significativas transformações, no que tange as diferenças entre elas. Já o segundo consenso é o de que este ciclo se inicia na fecundação e se encerra na morte, passando por 4 “estações”: infância, adolescência, idade adulta e velhice. Não é sobre essas que esse texto fala, porém, mais especificamente, por uma perspectiva um pouco mais filosófica, aborda estações que vem e vão. Bem como, procura estabelecer correlações interessantes para semear reflexões que floresçam na forma de conscientizações.

Quando nos acontece cada novo OUTONO, por exemplo, muito do que nos pertenceu até aquele momento vai, espontaneamente, perdendo a força, a potência e a vitalidade, até se desprender de nós, sem que façamos qualquer movimento voluntário. Por vezes sem sequer nos darmos conta. Não é fácil, ficamos como uma árvore sem suas folhas: mais vulneráveis, mais sensíveis e menos atraentes, não fisicamente, mas por estarmos tão imersos em uma transição pessoal, tão voltados para nós mesmos, que nos tornamos, por consequência, menos receptivos, menos acessíveis e, portanto, companhias por vezes menos interessantes. Mas isso tudo não só é natural, no contexto de uma existência saudável, quanto é condição fundamental para que possamos passar por nossas próprias PRIMAVERAS.

A primavera é a estação de florescer, evoluir, (re)agregar elementos e valores, deixar para trás o que não convém mais ao que já estávamos, dentro de um processo, nos tornando. Novamente, tal como as árvores, que todos os dias perdem uma ou outra de suas folhas, esse processo ocorre conosco; estamos em constante transformação. Também temos raízes e tronco, que em nós são, respectivamente, nossa origem e nossa essência. Alguns acontecimentos externos que fogem ao nosso controle são tão intensos que podem até alterar essa estrutura. Mas é ela que, quão mais fortalecida, mais nos mantém de pé, fortes e resilientes frente às grandes transformações pelas quais passamos, de maneira que possamos absorver, da melhor forma possível, o potencial positivo que delas é inerente.

Tudo que é vivo, do micro ao macro, passa por esse processo. De repente passa a fazer todo o sentido quando dizem que “somos todos um”. Portanto, mais do que para preservarmos nossa existência e perpetuarmos nossa espécie, devemos respeito a todos os seres vivos pois somos, nada mais e nada menos, parte de um todo. Uma parte significativa, porém, frágil. Nossos corpos nada são frente à força da natureza, mas, não obstante, temos um poder de ação imenso sobre tudo que existe, inclusive sobre nós mesmos. Somos seres potencialmente transformadores, para o bem e para o mal, de nós mesmos, do nosso meio e do universo em que vivemos.

Já dizia Stan Lee, na personificação de Ben, tio de Peter Parker, ou melhor, do Homem-Aranha: “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.

Clara Werneck

Psicóloga - CRP: 05/48863

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