A leitura vive presente em nossas vidas e pode assumir diversas configurações. Lemos para relaxar, lemos para dormir, aprender, mas também nos utilizamos da leitura como forma de aproximação ou fuga. A leitura antes de dormir feita por muitas famílias entre pais e filhos é a leitura em forma de aproximação e afeto, enquanto a leitura de mundos diversos e desconhecidos pode ser, muitas das vezes, uma forma de fuga à nossa realidade de mundo, uma maneira de experimentar uma outra vida.

Sabemos que a leitura é fonte de muitos benefícios para o desenvolvimento infantil. Muitas pesquisas apontam que fomentar o hábito da leitura desde cedo nos nossos pequenos é uma forma de fortalecer a criatividade, auxiliando no aprendizado, além de ser uma fonte de entretenimento e servir de benefício na redução dos níveis de estresse. O ato de ler proporciona o desenvolvimento do senso crítico, a melhor elaboração de ideias, auxiliando na maneira de pensar e agir. Além disso, contribui para o aprimoramento das habilidades de comunicação.

A literatura é transdisciplinar à medida que permeia diversos espaços e, enquanto arte literária, partindo do uso estético da linguagem, é capaz de trazer à tona temáticas que favorecem a construção do pensamento e o conhecimento acerca de si e do mundo que nos cerca.

Contudo, como os benefícios da leitura podem ir além, assumindo, inclusive, um papel terapêutico?

Através da leitura e da literatura, torna-se possível permear a realidade humana, fazendo emergir questões internas que podem se tornar reflexos para muitos, facilitando, assim, a compreensão humana e favorecendo a empatia. Partindo de uma mediação, a leitura e a literatura funcionam como uma ferramenta de interação e que vai além da estruturação do indivíduo crítico e social, favorecendo a reflexão e seu autoconhecimento. É lendo e ouvindo a respeito dos sentimentos do outro que podemos aprender sobre os nossos próprios sentimentos e emoções.

A leitura no ambiente de aprendizado pode servir de ferramenta investigativa sobre o aprendente. O mediador, por exemplo, pode usá-la como forma de conhecer um pouco do “mundo” dos seus aprendentes; através das leituras que são feitas por eles sobre as obras literárias, a entonação que é dada a cada leitura, é possível conhecer um pouco essas crianças e jovens e, de certa forma, permear em seus sonhos e objetivos. Esse trabalho de observação e investigação é de grande importância, pois, como dito por Benjamin Franklin, “Diga-me, eu esquecerei, ensina-me e eu poderei lembrar, envolva-me e eu aprenderei”, é necessário conhecer para saber envolver e como dissociar a aprendizagem do envolvimento? A leitura mediada fornece instrumentos que servirão ao sucesso no desenvolvimento da aprendizagem e para o processo de aquisição do conhecimento.

Foi pensando em tudo isso que a Clínica da Ponte desenvolveu o projeto “Clube da Leitura”, visando levar o ato de ler para uma dimensão que permeia o caminho da aprendizagem formal e vai até a construção do senso crítico, partindo da reflexão de si e do mundo que nos cerca. A leitura ativa e em conjunto favorece a socialização e traz benefícios para o desenvolvimento daqueles que a externam. Cervantes dizia em Dom Quixote que “Aquele que lê muito e anda muito, vê muito e sabe muito.” Vamos andar juntos pelos caminhos da leitura, pois somente assim seremos capazes de saber e é sabendo que aprendemos a fazer parte, tornando-nos pertencentes não só do nosso próprio mundo, mas desse que nos cerca.

Juliana Decieri

Psicopedagoga

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