O humano é um animal social e, como tal, se sente compelido a estabelecer vínculos com outros da mesma espécie. Precisamos interagir para conseguir aquilo que precisamos ou queremos, especialmente porque, desde civilizações medievais, oferecemos e adquirimos serviços que precisamos para sobreviver em nosso cotidiano.

Seguindo a Pirâmide de Maslow, um psicólogo que trouxe a teoria onde há uma hierarquia de necessidades, a necessidade de amor e pertencimento está no meio da pirâmide. Isso aponta que esta necessidade está apenas abaixo das necessidades fisiológicas e de segurança. Ou seja, se uma pessoa já supre suas demandas de fome, sede e sono, possui um teto, fonte de renda e saúde, o próximo passo para completude é se sentir querido, amado e pertencente a um grupo.

Há momentos e situações em que as famílias acabam por excluir, ou não contemplar, alguns de seus membros em sua totalidade e, assim, essas pessoas não se sentem pertencentes a estas famílias. Como o amor e o pertencimento fazem parte da pirâmide de necessidades, aqueles que se enquadram nesse quesito procuram então se encontrar em grupos sociais. Esse sentimento é potencializado na situação de pandemia, onde a instrução para se proteger do contágio é se manter em distanciamento social, de maneira que, aqueles que não se sentem como totalmente pertencentes em suas respectivas famílias, estarão “prisioneiros” em seu próprio lar. Mas estar “preso” dentro de casa pode não ser tão ruim, não é mesmo?

A população LGBTQIA+ é um exemplo que responde o quão ruim pode ser a convivência com aqueles que não os respeitam, não os acolhem e, muitas vezes, até os agridem e os expulsam. Eles procuram, então, o suporte e o pertencimento em suas comunidades, suporte esse que a família não oferece. Outros exemplos mais simples podem ser percebidos na adolescência e início da vida adulta, onde a pessoa precisa utilizar esse tempo para explorar sua singularidade e se descobrir como um indivíduo próprio. Pode soar contraditório, mas a vontade de ser diferente junto da vontade de ser igual faz parte da construção da identidade, tornando este momento bastante marcado pela busca do pertencimento.

E em um mundo global e cada vez mais permeado pelo virtual, a interação com outras pessoas já não está mais limitada ao espaço geográfico. Isso abre novas oportunidades para as relações interpessoais, incluindo até mesmo uma subcategoria informal chamada de “webamizade”, que categoriza interações virtuais frequentes, e por vezes tão íntimas quanto as interações reais, entre as pessoas. Essa interação se mostra cada vez mais comum pela facilidade de acesso às redes sociais e à forma com que as incluímos em nossa vida, e podem ser sentidas como tão intensas, frequentes e importantes quanto as amizades com base na vida real.

Independentemente de serem reais ou virtuais, as amizades são necessárias para que a sensação de pertencimento seja percebida pelas pessoas e a formação da identidade pessoal aconteça. Permitindo, assim, que as outras necessidades da hierarquia, como estima e autorrealização, possam ser alcançadas plenamente.  

Mas não são todos que possuem facilidade de fazer amigos e se sentir pertencente a um grupo. Nesses casos, a atuação de um profissional de psicologia pode ser importante para auxiliar a pessoa a se descobrir e se entender, abrindo oportunidades de procurar o pertencimento e a singularidade que permeiam a construção da identidade de uma pessoa. Se você se enxerga nas dificuldades apontadas acima, não hesite em procurar ajuda psicológica.

 

Pedro Diniz Bernardo

Psicólogo - CRP: 05/48864

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