A agressividade infantil justifica-se pelo número cada vez maior de crianças que a apresentam  em desacordo com o que é, socialmente, considerado normal, sua manutenção e consequências. Ela nos fala de algo que está introjetado na criança, como  um medo, uma frustação e até por  não aguentar a vivência de uma situação difícil. Em suma, a agressividade infantil é um pedido de socorro. 

A infância é o início para entender, aprender e regular as emoções, mesmo sendo uma fase transitória e passageira, podendo retratar as emoções também na adolescência e na vida adulta. Cada fase do desenvolvimento possui padrões de normalidade, como por exemplo, quando é esperado uma criança falar e andar, entre tantos outros padrões.

E com o comportamento agressivo  também é assim. Em sua grande maioria, inicia-se na tenra infância e, às vezes, passa despercebido pela família por ser “engraçadinho”, mas com o passar dos 5 anos, a agressividade tende a não passar e aumenta progressivamente. Quando o comportamento agressivo acontece, deve-se buscar   entender o motivo, pois só assim é tratável. Essa é uma pergunta difícil de ser respondida, pois são muitas razões para que a agressividade aconteça.

A criança não é um adulto em miniatura. Esse é um paradigma estrutural da prática clínica infantil. O ser criançatem características próprias que, na maioria das vezes, diferem muito do adulto.

A presença de comportamentos agressivos na infância está associada a diversos problemas, tais como, dificuldades de aprendizagem, dificuldade de adaptação no contexto escolar e problemas futuros, tais como: condutas desadaptativas, evasão escolar, comportamentos delinquentes, rejeição e dificuldade de ajustamento com pares, sintomas de depressão e de ansiedade, solidão e impulsividade (CHEN, CHEN, WUANG & LIU, 2002; LADD & BUR-GESS, 1999).         

O comportamento agressivo pode se manifestar de diferentes formas e pode ser direcionado aos familiares, professores, pares, animais ou objetos. “Quando direcionados aos pares, os comportamentos agressivos manifestam-se por meio de ações físicas como chutar, empurrar, bater e agressões verbais como ofender, gritar, discutir” (BORSA e BANDEIRA, 2014). Os principais fatores que podem gerar a agressividade na infância são: temperamento, pais e familiares agressivos e negligentes, comportamento apreendido, mídias e a frustração.

Diferenciar a agressividade de um ato de agressão, é relevante para a discussão da agressividade e a manutenção desse comportamento disfuncional. Portanto, a agressão é qualquer forma de conduta direcionada, visando prejudicar ou ferir outra pessoa, e a agressividade faz parte do processo de conhecer, pode mediatizar-se e está dentro do nível simbólico, ao passo que a agressão não está mediatizada e, muitas vezes, encontra-se a serviço da destruição do pensamento (FERNANDEZ, 1992).

A psicologia e a reabilitação neuropsicológica infantil trabalham majoritariamente com a prevenção. É primordial a atenção dos pais para as mudanças de comportamentos dos filhos, mesmo de tenra idade (a partir de 2 a 3 anos), para procurar ajuda especializada. Vale ressaltar que o trabalho em equipe, realizado com os pais e a família,  é valioso para que o comportamento volte à normalidade e ao desenvolvimento de uma vida psíquica saudável.

Thelma Domingues

Psicóloga e Psicopedagoga Clínica - CRP: 05/56218

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