As famílias têm mudado muito nas últimas décadas. Surgiram novos formatos de família e a mulher está cada vez mais presente no mercado de trabalho. Devido a essas mudanças, as mulheres tem adiado cada vez mais a maternidade em busca da estabilidade financeira, estarem preparadas, entre outros motivos.

Atualmente, muitas mulheres encontram dificuldade em engravidar, e isso pode ocorrer por diversos motivos, sejam físicos ou até mesmo psicológico. Existem dois casos clínicos: a infertilidade, que é quando o casal não consegue engravidar após um ano de tentativa sem o uso de nenhum método contraceptivo, cujo os motivos devem ser investigados e tratados pela medicina. O outro caso, a esterilidade, é a impossibilidade que o homem ou a mulher tem de produzir gametas (óvulos e espermatozoide) ou zigotos (resultado da fusão entre óvulos e espermatozoides) viáveis. Assim, podemos dizer que um casal é infértil quando há diminuição das chances da gravidez, algo que podem ser contornadas por medidas médicas, através de tratamento medicamentoso ou intervenção cirúrgica, e que é estéril quando há incapacidade de gerar filhos, nesses casos não há medidas médicas possíveis para reversão. Mas quais as consequências psicológicas nesses casos?

Gerar um filho traz um significado pessoal muito importante para a mulher que deseja ser mãe, uma vez que a gravidez pode representar a confirmação de sua feminilidade. Assim sendo, a infertilidade pode ferir e desestruturar a representação da autoimagem e costuma afetar, alterando a maneira como as mulheres se sentem a respeito de si mesmas.

Diante da perda do controle sobre si, seu corpo e seu projeto de vida, a mulher infértil depara-se com uma sensação de tristeza, de incompletude, de solidão e de inferioridade. Percebendo que a realização do seu desejo não está em seu poder, é comum se sentirem impotentes, fracassadas, deficientes, humilhadas, desamparadas e injustiçadas, apresentando sinais de depressão, inquietude e desânimo (Oliveira, 2006). Assim, capaz de ocasionar uma queda na autoestima feminina, a infertilidade é, muitas vezes, sentida como um defeito, provocando um sentimento de desvalorização e afetando outras esferas da vida. Devido a essa sensação de “anormalidade”, as mulheres com problema de infertilidade costumam sentir vergonha perante a sociedade, uma vez que, geralmente, são responsabilizadas pelo sucesso ou pelo fracasso da reprodução.

Se você se encontra nessa situação, perceba o aparecimento desses sintomas citados. É indicado procurar um médico ginecologista/obstetra, especialista na área para diagnosticar seu caso clínico e fazer o tratamento adequado. O tratamento psicológico também é importante, pois proporciona ao casal ou ao indivíduo um espaço para falar do seu sofrimento, suas inseguranças para elaborar esse momento difícil de espera e incertezas. Também auxilia na tomada de decisões importantes de um tratamento mais invasivo, como tratamento in-vitro ou barriga solidária. Caso seu diagnóstico ou do seu parceiro seja de esterilidade, existe a possibilidade de ressignificar a importância de ter filhos para o casal e pensar em uma possível adoção.

Essas decisões são exclusivas do casal, porém a terapia possibilita que o casal se escute mais, entenda a angustia do parceiro e, ao se compreenderem melhor, tornar a caminhada possível e obter o suporte adequado para as possíveis tomadas de decisão. Participar de um grupo terapêutico pode ser também uma boa opção, na qual pessoas passam pela mesma situação e se escutam, se identificam e percebem que não são os únicos. A partir deste processo terapêutico tem início o processo de desenvolvimento da resiliência, que é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças e superar as situações adversas. Sua saúde mental é tão importante quanto sua saúde física, então não hesite em procurar ajuda!

Dyesere Diandra Candiago Zanotti

Psicóloga - CRP: 05/59775

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